no exato momento em que o escuro deu lugar ao clarão, pude ver onde estava. rodeado por espelhos, o óbvio me fez concluir o que seria aquele lugar. uma sala de espelhos.
ao andar por aquela sala, pude observar meus vários reflexos. alguns mais nítidos, outros totalmente distorcidos. estes, distorcidos, me faziam ter vergonha do meu próprio reflexo e que eu corresse o bastante para que aquela tão assustadora imagem não houvesse mais.
quando os reflexos eram mais nítidos, havia uma sensação de paz interior, uma satisfação.
tanta coisa ao mesmo tempo fez com que eu me tornasse algo que os espelhos se agradavam e não o que eu queria. algo que fazia com que meu reflexo não fosse tão macabro.
eu mudei. não pela minha própria vontade, e sim pela opressão imposta sobre mim.
entenda a sala de espelhos como uma sociedade, os diversos tipos de espelho como os cidadãos, os reflexos como as diferentes opiniões, às vezes até o próprio senso comum.
todas essas metáforas traduzem uma ação de nossa sociedade: a coerção. uma sociedade que insiste em nos rotular e nos manipular, fazendo-nos cair no seu jogo sujo, e nos escondendo em imagens que a sociedade queria ver.
isso é o que acontece diariamente em nossas vidas. a sociedade tenta nos persuadir de que estar dentro do rótulo comum, seremos melhores.
cada vez mais, as pessoas tem se tornado cópias de famosos. cabelo, roupa, estilo. a personalidade tem ficado de lado pra dar lugar às 'ordens' dos famosos.
não podemos aceitar isso. sejamos o que somos, o que temos vontade de ser. sejamos exclusivos e não tenhamos vergonha disso.
que as 'cópias' se envergonhem, e não nós.
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