terça-feira, 27 de julho de 2010

metas e medidas.

estava em uma campina, num dia ensolarado. sozinho, o garoto fazia o que mais gostava. com um arco em suas mãos, mirava cada uma das flechas no alvo que estava metros à sua frente.
sua mira era praticamente infalível. acertava em quase todas as tentativas. quase todas. ele não era perfeito, é claro. ele errava. errava o alvo.
por vezes, num destes erros de mira, a flecha acabou por atingir um animal que corria pela campina. o garoto, assustado, perdia a reação. segundos depois, recuperado, se conscientizava do que havia causado.
só que, ao contrário das pessoas, ele não foi covarde. correu até o animal e tentou salvar-lhe a vida. havia admitido o erro e estava lutando para mudar o rumo da história. fez como se não houvesse cometido nada. apagou aquele desastre de sua mente. simplesmente foi honesto consigo mesmo e tentou resolver o que causou.
é assim que acontece em nossas vidas. somos 'máquinas em teste'. sempre errando, sempre falhando. como se, em alguns momentos, os fluidos (sentimentos) das máquinas tomassem o controle e agisse indiferente à mente, fazendo-nos desviar do nosso alvo, das nossas metas.
ao errar, pelo menos, sejamos capazes de admitir nosso erro e, ao invés de tentar ocultá-lo, devemos aceitá-lo, esquecê-lo e tentar resolver as consequências deste erro.

sábado, 24 de julho de 2010

xadrez

às vezes, me considero como uma peça de um tabuleiro de xadrez. não a mais importante ou mais forte. talvez seja eu a peça mais singela do tabuleiro. não me importo com isso. o que realmente me chama atenção são as outras peças. as peças que me cercam. pois são elas quemovimentam o jogo. o meu jogo.
são essas peças que, ao fazerem a jogada, também me fazem feliz. são elas que me permitem movimentar-me, às vezes me colocando em perigo, às vezes me poupando. o importante é a presença delas ao meu lado.
peças de xadrez são como amigos. por mais que estejamos numa sociedade que mais parece um jogo, tentamos proteger essas peças importantes em nossas vidas. é claro que nem sempre as jogadas serão ao nosso favor, mas teremos que saber lidar com isso.
o mais importante é que saibamos lidar com essas outras peças do precioso tabuleiro. são elas as coadjuvantes do nosso jogo. importante se faz também saber jogar sem prejudicar ou manipular outras peças. que sejamos cada peça por si, no objetivo de nos mantermos juntos.
peças são só peças sem tabuleiro. tabuleiro é só tabuleiro sem peças. uma peça não faz o jogo. o jogo se faz com tabuleiro e peças, que permitem a jogada.


torno este o meio de dizer aos meus amigos a importância deles para mim. os amo, independentemente. :)

asas quebradas

era um vôo sereno, sem qualquer turbulência. de cima, tinha uma visão deslumbrante do mundo 'lá embaixo'. sentia toda a liberdade. e, também, um turbilhão de sentimentos desejáveis. não havia medo ou arrependimento.

com tanta tranquilidade e satisfação, não houve tempo para que tudo que ocorria ao redor fosse observado. faltou concentração, foco e cautela.

de repente, como por uma onda, o pobre pássaro foi arrastado e jogado ao chão. tomado pelo desespero e dor, se deu conta de que a grande onda era tão somente um baú de sentimentos repudiados, renegados por ele mesmo. como se seu passado estivesse de volta para lhe assombrar, como se o fracasso lhe tivesse subido à cabeça.

agora, com a asa quebrada, tenta recuperar as forças, a motivação e até mesmo o tempo em que se deixou dominar por seus medos. estava disposto a reverter aquela situação.

e assim fez. o que lhe causava medo até então, agora era só motivo para sinceras risadas. o que lhe causava pavor, agora só lhe causava indiferença. não existia mais medo ou frustração. o pobre pássaro simplesmente aceitou que havia errado e, então, continuou sua vida.

os vôos passaram a ser ainda mais intensos e sinceros. o peso nas asas e na consciência deixou de existir. o pássaro também se propôs a se impor concentração e foco naquilo que fazia, para que não acontecesse novamente aquilo que tanto lhe fez mal. e continuou a voar. feliz e aliviado.

terça-feira, 20 de julho de 2010

reflexos

como num susto, me vi num lugar estranho. me levantei, tateei as paredes até encontrar um interruptor. ao encontrá-lo, apressei-me por fazer com que as lâmpadas fossem acesas.
no exato momento em que o escuro deu lugar ao clarão, pude ver onde estava. rodeado por espelhos, o óbvio me fez concluir o que seria aquele lugar. uma sala de espelhos.
ao andar por aquela sala, pude observar meus vários reflexos. alguns mais nítidos, outros totalmente distorcidos. estes, distorcidos, me faziam ter vergonha do meu próprio reflexo e que eu corresse o bastante para que aquela tão assustadora imagem não houvesse mais.
quando os reflexos eram mais nítidos, havia uma sensação de paz interior, uma satisfação.
tanta coisa ao mesmo tempo fez com que eu me tornasse algo que os espelhos se agradavam e não o que eu queria. algo que fazia com que meu reflexo não fosse tão macabro.
eu mudei. não pela minha própria vontade, e sim pela opressão imposta sobre mim.
entenda a sala de espelhos como uma sociedade, os diversos tipos de espelho como os cidadãos, os reflexos como as diferentes opiniões, às vezes até o próprio senso comum.
todas essas metáforas traduzem uma ação de nossa sociedade: a coerção. uma sociedade que insiste em nos rotular e nos manipular, fazendo-nos cair no seu jogo sujo, e nos escondendo em imagens que a sociedade queria ver.
isso é o que acontece diariamente em nossas vidas. a sociedade tenta nos persuadir de que estar dentro do rótulo comum, seremos melhores.
cada vez mais, as pessoas tem se tornado cópias de famosos. cabelo, roupa, estilo. a personalidade tem ficado de lado pra dar lugar às 'ordens' dos famosos.
não podemos aceitar isso. sejamos o que somos, o que temos vontade de ser. sejamos exclusivos e não tenhamos vergonha disso.
que as 'cópias' se envergonhem, e não nós.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

metaforicamente estável

suponhamos que a felicidade seja como um bronzeamento. suponhamos também que sejamos pessoas bem fúteis, que não vivem sem ele.
fácil. nos dias ensolarados, temos um bronzeamento garantido. pegamos 'aquela corzinha' rápido.
a questão é que nossos meses não são só de dias ensolarados. sempre haverão dias nublados para deixar em dúvida a certeza de um bronzeado.
mas é aí que vem a surpresa. se não tem Sol, temos que aproveitar o dia nublado. saiba aprender com ele. aprender que um banho de chuva também faz muito bem. que rejuvenesce a alma, que nos deixa mais leves e felizes.
aah. e se houver algum problema quanto à cor, saibamos que ainda que proibido existe o bronzeamento artificial. HAHA
o importante é que não perdemos o bronzeado, independente das circunstâncias ou ocasiões.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

sobrou descrédito, faltou educação

tá, tudo bem. a copa do mundo já acabou, o Brasil foi eliminado há semanas eu acho :x, mas eu ainda continuo achando que faltou e sobrou muito, por parte do povo brasileiro.
por exemplo: faltou garra da seleção. faltou força de vontade por parte dos jogadores, talvez. sobrou expectativas.
faltou apoio de nós para com eles, faltou perseverança. faltou confiança e esperança. sobrou descrédito. sobrou também insultos à quem deveria haver créditos, apesar dos pesares.
faltou patriotismo. isso mesmo: faltou patriotismo!
que história é essa de só ter orgulho de ser brasileiro quando estamos ganhando, quando erguemos a taça? isso é lastimável.
finalizando, acredito que, ainda assim, podia ter havido palmas sem fim, elogios no lugar de críticas, gentileza no lugar de xingamentos, orgulho no lugar de indiferença.
sim. eu tenho orgulho de ser brasileiro. porque, ganhando ou perdendo, ainda somos Brasil.